.Starcraft 2 e a chegada da Blizzard as terras tupiniquins

Setembro 26, 2010 at 12:44 pm 3 comentários

Tychus finlay

“Caramba, já tava na hora”

*Post feito após o lançamento do jogo, mas como o blog estava fora do ar, o post só foi publicado agora

Starcraft é um dos RTSs mais importantes da história. Uniu um enredo consistente com uma jogabilidade simples, mas poderosa e balanceada. Vendeu 10 milhões de cópias (sendo quase a metade dessas só na Coréia do Sul, onde o jogo virou um “e-sport oficial”) e conquistou uma legião de fãs. Ao anunciar Starcraft 2, a Blizzard animou os fãs, que estavam órfãos de jogos de estratégia desde Warcraft III, em 2002. Passando pouco mais de 4 anos, o jogo chegou, atualizando o estilo e trazendo a Nevasca para o mercado brasileiro.

Entre as grandes novidades de SC 2, destacam-se a obrigatoriedade de estar sempre logado na Battle Net* (até mesmo jogando no modo Single, portanto, depois dos 6 meses da versão brasileira, o jogo expira completamente) e a liberdade e imersão proporcionada pela campanha (mesmo sendo um tanto curta). A história é formada por 29 missões (25 normais, 1 secreta e 3 são alternativas), dispostas em arcos e que não exigem que você siga um curso pré-determinado. Em algumas missões você tem de escolher a quem irá se aliar, como por exemplo entre o fugitivo Tosh (referência a Peter Tosh) ou ghostosinha Nova.

Além de poder escolher seu próprio caminho, ganhamos a possibilidade de evoluir as tropas ao longo do jogo, na ponte da Hypérion (QG dos “Saqueadores de Raynor“, ex-militante de um grupo revolucionário que posteriormente tornou-se o novo regime opressor e protagonista do jogo) você pode contratar mercenários, comprar melhorias para as tropas ou usar os pontos de pesquisa alienígena adquiridos durante as missões. Não que o sistema de upgrades seja algo inovador, mas unir isso ao enredo é uma sacada inteligente e sedutora (visitar telepaticamente a memória de uma premonição (paradoxo?) de um profeta protoss e pesquisar sobre a raça para ganhar pontos de pesquisa foi uma das passagens mais emocionantee de SC 2).

Como não podia deixar de ser, o enredo é uma das partes mais cativantes do jogo. Ainda que raso (e em alguns momentos previsível) consegue trazer eficientemente o clima de faroeste a uma trama sci fi. A sensação de ser um “Clint Skywalker” foi ao máximo quando em um dado momento me vi bebendo no bar da Hypérion, depois de assaltar um trem da Supremacia (regime ditatorial terrano, que os Raynor Raiders lutam para derrubar) e observando seu antigo distintivo de xerife (tudo ao som de Sweet Home Alabama). Somado ao cruzamento de Sérgio Leone e George Lucas, os pequenos detalhes prendem a atenção do jogador durante todo momento. Citando um deles, temos a prisão em um planeta chamado Nova Folsom, como na canção de Johnny Cash, que por sua vez fala sobre uma das primeiras penitenciárias dos Estados Unidos.

O modo online (talvez o ponto mais alto de SC 1) recebeu poucas e sutis melhoras. Por estar sempre online, as contas ganharam um catálogo de realizações (tanto do Single quanto Multiplayer) e um sistema de ligas (que são 5: Bronze, Prata, Ouro e Platina e a liga de iniciantes, onde você disputa 50 partidas amistosas antes de jogar oficialmente) pela primeira vez em Starcraft. Ao passo que luta contra outros jogadores ( as partitas podem ser 2×2, 3×3 ou 4×4) você progride no sistema de ligas.

Por causa das sacadas inteligentes e do modo online eficiente, Starcraft 2 está muito acima dos outros RTSs já lançados. O Single Player é uma experiência única e o modo online não fica atrás, diferente do papel normalmente exercido pelo multiplayer de alguns dos outros jogos do gênero jogos, sendo uma parte significativa do jogo. Apesar de simples, revisita aquele gosto de e-sport que Starcraft trouxe há 12 anos atrás. Portanto, há uma alta possibilidade de Starcraft II ser eleito o jogo do ano.

Mas, nem tudo são flores no Setor Koprulu…

Os espinhos das rosas de Mar Sara

Starcraft II é ótimo e fez jus a franquia. Para os brasileiros, o lançamento fora ainda mais esperado; o jogo veio 100% em português e pode ser adquirido por R$49,90 com acesso limitado a 6 meses. Até um midnight launch nós tivemos. Os fóruns e toda a comunidade brasuca esperaram ansiosamente pelo jogo, mas, conforme nos aproximavamos da data de estréia, a Activision-Blizzard divulgava informações incompletas e os próprios blues posts (posts de membros oficiais da blizzard no fórum da mesma) caiam em contradição com as informações escassas e de difícil acesso sobre o lançamento brasileiro.

Pra começar, foi preciso garimpar muitas “minas de informação” da Blizzard (leia-se fórum e site oficial) para encontrar a informação de que teríamos acesso a uma versão ilimitada de Starcraft 2 em português. Até o fim da escavação, não tínhamos nenhuma fonte segura dizendo que haveria possibilidade de jogar por um período de tempo indefinido sem ter que pagar R$10,oo para sempre. Então, em um canto obscuro do site (tão bem escondido que não consigo encontrá-lo novamente) havia a informação de que o upgrade custaria R$69,00. Muitos jogadores brasileiros não encontraram essa informação a tempo e foram para o servidor norte americano.

Outro problema era o fato de que seríamos obrigados a jogar em português (isso claro, sem contar com a gambiarra de trocar os arquivos referentes ao audio e aos textos do jogo pelos correspondentes em inglês) se quiséssemos jogar no servidor Latino Americano e participar de campeonatos oficiais (a Blizzard dividiu os servidores (e jogadores) por regiões, se você está com uma CD-Key brasileira no Brasil,  vai para o servidor LA e pode participar de campeonatos oficiais. Se está com uma CD-key americana no Brasil, joga no servidor Norte Americano, sem direito a participar dos campeonatos. Isso se aplica também aos servidores Russo, Europeu e Norte Coreano). Aqueles que não queriam ouvir a voz do Adam dos Mithbusters no lugar da de Jim Raynor, de ouvir o Paul Teutul te chamando de cowboy e de conviver com Vudus e Morcegos de Fogo tiveram que ir para o servidor norte americano também.

Por mais que os motivos não sejam dos mais graves, quando falamos de um jogo esperado a 12 anos (com justificativa a 4) a Blizzard poderia ter sido mais cuidadosa, até para não perder jogadores. Não é difícil entrar em comunidades de Starcraft (e até de World of Warcraft) e ver que um número considerável de players debandou para a versão EN-US do jogo. Por isso nosso servidor LA (ainda que com  um número grande de brasileiros e com o número total crescendo bem) tem apenas 10.423 jogadores, sendo que em toda a B.Net há quase 1 milhão de jogadores de SC 2. Bom Blizzard, this is sad.

Nuclear Launch Detected

Por mais que confusa,  a vinda da frente fria foi muito promissora para os jogadores brasileiros. Não foi o primeiro Midnight Launch no Brasil, mas foi um dos maiores.

O evento ocorreu em São Paulo, na Saraiva do Morumbi Shopping, que tem um espaço (pequeno) para eventos. O começo estava marcado para as 22h da segunda dia 27, por isso cheguei lá pouco antes das nove, quando haviam poucas pessoas esperando na porta de vidro fechada da sala de eventos. Em pouco tempo (como era de se esperar) o número de pessoas se multiplicou, e evidentemente a sala não comportaria a galera toda. Infelizmente, houve uma falha de organização nesse ponto. As 22h, quando o evento deveria ter começado, uma porta foi aberta e começou uma coletiva só para a imprensa. Enquanto isso, uma multidão de nerds suados se amontoava contra a porta de vidro (algo como os zumbis da cena final de Eu Sou a Lenda). Engraçado é que na espera tinha muita gente com dúvidas sobre aqueles assunto que eu falei acima.

Depois de mais ou menos meia hora de atraso, entramos. Vimos uma introdução em vídeo, gritamos (?), conhecemos a apresentadora do evento, Flávia Gazi, (que eu só vim descobrir quem era agora até então era só “a moça com penteado personalizado”), e fomos recebidos por Steve Hout -diretor de operações da Blizzard na a América Latina-, que nos recebeu calorosamente. Depois das apresentações, começou a (mini) palestra com um brasileiro que está no grupo de desenvolvimento de vídeos em CG da blizz. Trabalhou em SC 2 e na primeira animação do WoW, modelando o mage e o orc. Novamente, a Blizzard pecou por não informar os jogadores, quando alguém da platéia perguntou ao palestrante sobre informações quanto ao processo de venda no Brasil e foi cortado imediatamente pela moça do cabelo especial, que disse que o momento onde esse tipo de dúvidas seria depois. Esse depois nunca chegou, e das perguntas úteis fomos diretamente ás redundantes.

Depois, começou uma gincana. Você ia ao palco, respondia as perguntas de uma trivia ou imitava algum personagem da Blizzard (?) e ganhava prêmios (incríveis por sinal. Pra ter uma noção, tinha uma concept art de edição limitada sendo distribuída). Quem mediava a distribuição dos prêmios era a apresentadora, que não foi muito simpática com os pobres nerds que subiam ao palco. Ficamos lá vendo pessoas pulando pra imitar Zerglings ganhando Action figures fodonas e outras recebendo cheveiros e adesivos por responder perguntas difíceis (e mal lidas).

A gincana foi a maior parte do evento, até que acabaram os brindes (por volta das 23h50m) e todos se dirigiram para o caixa, pra comprar o jogo. Fizemos uma contagem regressiva e começaram as compras. O primeiro da fila ganhou um Boardgame de SC e as compras seguiram madrugada a dentro. Retirei o meu SC 2 feito na pré-venda e fui embora.

Por mais que não tenha sido um evento realmente foda, já foi um ótimo começo. Só faltou organização e (quem sabe) uma apresentadora mais dócil.

E, por último, a apresentação.  Sou Azeloc, provavelmente postarei quase sempre sobre games e quadrinhos, e esporadicamente sobre  filmes e literatura. Espero que gostem dos posts.

Um abraço

Azeloc

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Entry filed under: Eventos, Games.

.Dá pra viver sem depender de um computador? Discriminação por conhecimento.

3 comentários Add your own

  • 1. 741  |  Setembro 26, 2010 às 12:57 pm

    “A sensação de ser um “Clint Skywalker” foi ao máximo quando em um dado momento me vi bebendo no bar da Hypérion, depois de assaltar um trem da Supremacia…”

    Excelente comentário…rialto =P

    ==

    Ótimo post cara

    Responder
  • 2. Pitt  |  Setembro 26, 2010 às 8:32 pm

    Legal!

    Parabéns pelo post…

    Responder
  • 3. Allan  |  Setembro 27, 2010 às 7:23 pm

    Cara esse jogo deve ser da hora… Mas pra falar verdade eu não curto jogos assim… Mas parabéns pelo blog, muito legal.

    Responder

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