Apresentação & Crônica

Junho 8, 2010 at 2:53 pm 6 comentários

Gruß nerds e não-nerds!

Sou a L, nova integrante do blog (agora os rapazes têm mais uma para chamar de Musa, sintam-se felizes queridos :B) e preparem-se pois estou responsável por trazer LITERATURA para vocês, em suas mais variadas formas, como críticas literárias sérias, crônicas, histórias e até tirinhas!

Convido-os a visitarem, participarem, questionarem e duvidarem do blog diariamente apesar das outras seções não terem toda a beleza das artes, pois por mais incrível que pareça, são interessantes e podem ajudá-lo a dar um rumo nas idéias e garanto que é mais divertido que Programa do Faustão, ôloco meu!

Sem mais delongas, sigam-me nessa droga chamada twitter (alguém pensou que eu ia falar da cafeína?) e percam seus preciosos e úteis minutos me perguntando coisas, que na maioria serão imbecis, no tal do formspring, este antro de pão e circo, como o Coliseu, nos tempos mais primórdios.

Fiquem com a crônica de hoje, “Silenciosa Lucidez”, criada há tempo razoável, de minha autoria, naqueles momentos da vida que são mais criativos e promissores para inventar crônicas e poemas (vulgo “depressão, mimimi, estou chorando”). E para quem pensa que sou inteiramente das Humanas, se engana: tenho muito amor por exatas e Engenharia é o meu forte! Boa viagem, sua alma será seu guia.

~.~

Silenciosa Lucidez

– Aqui está bom? – perguntou o rapaz, ansioso para encontrar um lugar perfeitamente fora de riscos.
– Vamos ficar para descobrir. – respondeu, com um sorriso, a garota.
Ficaram ali sentados no corredor daquele celeiro vazio, próximos a janela, parcialmente escondidos de todo o restante. Jogaram as mochilas em um canto. Um lugar perfeito para um casal. Se fossem um casal.

Ficaram ali, próximos a janela, parcialmente escondido de todo o restante. Um lugar perfeito para um casal. Se fossem um casal.

Eduardo nunca entendera realmente seus sentimentos por Bárbara. Não sabia se a amava ou se alimentava uma amizade profunda e fora do comum. Mas sempre desejara estar ao lado dela, em todas as ocasiões.
– O amor é tão irônico. Chegando a ser uma ironia maldita. Nasce manso e silencioso, como uma manhã deliciosa. E quando menos se espera, transforma-se em uma noite fria e sombria. Maldita ironia.
Bárbara, que sempre fora amorosa, dona de um sorriso largo e belo, disse com tristeza na voz e lágrimas nos olhos o que para Eduardo, soou doloroso. O que quer que sentisse por Bárbara, sabia que naquele momento, não seria correspondido com mais do que uma simples amizade.
– O que houve?
– Não quero mais amar.
– Tão de repente? Algum imbecil terminou com você?
– Não.
– Então qual o motivo para tanta tristeza?
– Não quero mais amar.
Eduardo calou-se. Não pela falta de argumentos e dúvidas sobre o assunto, mas porque sabia que Bárbara não diria mais nada naquele momento. Resolveu calar-se e esperar pela amiga que agora, chorava feito uma criança. Uma criança perdida, a quem Eduardo desejava salvar.
– Não vale mais a pena. No fim, tudo será transformado em uma noite fria e sombria. Como eu já lhe disse antes. O paraíso bucólico transformado no seu próprio inferno. Um inferno pelo qual caminhará, sozinho, durante todo o tempo que dispor, com o diabo rindo da sua desgraça. Tudo porquê? Porque você amou. Amou, doou para o outro os seus sentimentos mais inocentes, puros. E agora, caminha sozinho por um caminho torturante. Isto terá fim? Terá?
O sol já se retirava, dando lugar para a escuridão, tornando as amargas palavras de Bárbara mais pesadas. “Estivemos aqui por horas”, pensou Eduardo, que já não sabia o que fazer para acalmar a amiga e se preocupava em voltar para casa.
– De tudo o que senti, de tudo o que vivi, você foi a melhor coisa que me aconteceu.
– Você também, minha pequena.
Bárbara sorriu e mergulhou nos braços de Eduardo. O rapaz não conteve o sorriso, esperançoso, de que aquele abraço apertado trouxesse o rosto de Bárbara mais próximo ao seu. E agora, já tinha uma direção para onde levar os sentimentos por Bárbara.
– Eu nunca vou deixar você abandonada na escuridão da noite. Você sempre será o meu paraíso bucólico.
Bárbara chorou com mais força, agora soluçava, em profundo desespero. A mão de Eduardo nos cabelos longos e encaracolados da moça e sua voz, grave, mas doce, cantando “Silent Lucidity” embalou Bárbara, trazendo-lhe a paz que a moça tanto ansiara.
Os dois permaneceram nesta cena por tempo suficiente para Bárbara recobrar as forças e cantar junto com ele. Olhou para o rosto sereno do amigo, que terminava a canção, com um largo sorriso no rosto.
– Cante mais uma vez, Edu. Por favor.
A moça pedia com voz manhosa, agora mais feliz. E o rapaz, com o peito agoniado, tinha certeza do que queria. Queria Bárbara para ele. Cantou mais uma vez, com mais suavidade. Bárbara, com um sorriso, virou-se para Eduardo, beijando-lhe carinhosamente o canto dos lábios, pedindo por um outro beijo.
Eduardo beijou Bárbara como se fosse a última coisa que faria em vida. Rendendo-se aos beijos e carícias, fizeram do celeiro o cenário para a entrega mútua do corpo e da alma. Toques, carinhos, risos. Agora eram um casal. Agora, mais do que nunca, faziam parte um do outro.
O caminho para casa, agora, era cheio de paradas, beijos alegres e risadas gostosas. “É a minha pequena. Agora, é a minha pequena”, pensou Eduardo, embalado por um beijo carinhoso de Bárbara.
Remexendo na mochila, Bárbara pegou o bloco de anotações e escreveu um pequeno parágrafo. Colocou o pequeno papel nas mãos de Eduardo.
O rapaz fez a mesma coisa e sabia exatamente o que escrever. O refrão de “Silent Lucidity”, que deixara Bárbara tão feliz.
– Prometa que só vai ler amanhã de manhã.
– Eu prometo.
– E você, também.
Bárbara respondeu com um sorriso.
Na manhã seguinte, o sol parecia mais brilhante. A alegria batia no peito e a ansiedade por ver Bárbara novamente deixava-o agoniado. Precisava vê-la. Precisava dizer o quanto a amava. Precisava tomá-la para ele, fazê-la feliz. Precisava ser feliz ao lado de quem amava.
Após o café rápido, Eduardo foi à casa de Bárbara. A moça morava sozinha. sentiu-se aliviado por não ter que causar impressões estranhas por estar indo à casa de uma jovem em plena manhã. A mãe de Bárbara havia abandonado a filha. A depressão havia tomado conta da mãe após a triste separação. Os passos rápidos o fizeram chegar em menos tempo que o previsto. Bateu na porta e esperou ansioso. Não houve resposta. Bateu, novamente, chamando por Bárbara. Sem resposta. Por impulso, girou a maçaneta, talvez a porta estivesse aberta e ela estivesse na cozinha, como já aconteceu outras vezes.
Chamou por Bárbara, avisando que estava entrando. E não houve resposta novamente. O silêncio perturbador naquela casa o deixava assombrado. Desejou ver Bárbara o mais rápido possível. Sonhava acordado com Bárbara. Queria levá-la ao teatro, alugar filmes e ver com ela, dar-lhe presentes, visualizando o sorriso largo e um abraço forte pela surpresa. Sonhava com Bárbara em todas as situações mais românticas que conhecia e que os filmes já mostraram.
Abriu a porta do quarto de Bárbara com cuidado, avisando de que ia entrar. Encontrou-a dormindo. Ficou um tempo observando-a. Vendo como era linda a moça que agora, era dona dos seus pensamentos e de suas razões.
Foi de encontro a moça. Ela estava gelada, com o rosto suavemente roxo. Desesperou-se. Gritou. Sacudiu o quanto pôde, ela não abria os olhos. Ligou para a emergência, chorando como criança e ficou ali, ao lado dela. Ela estava morta. A mulher que ele amava, estava morta. Aquela, que jamais desejou ficar longe, que sonhou tanto em estar junto. Morta.

Ela estava morta. Aquela, que jamais desejou ficar longe, que sonhou tanto em estar junto. Morta.

Segurou suas mãos, em meio a lágrimas de desespero e encontrou um papel entre as mãos da moça. O papel, que havia lhe entregado na noite anterior, jazia junto com seu corpo.
Lembrou-se do papel que a moça havia entregado também. A vontade de rever seu amor era tão grande que havia esquecido de ler o papel assim que acordara. Tirou o papel do bolso e leu. Gritou. Não se conformava.
A letra de Bárbara era linda, como ela. Beijou o papel. Ajoelhado, do lado da cama, do lado de sua amada, leu o pequeno parágrafo:
“Meu paraíso bucólico. Você. A noite irá embora, a vida irá embora, mas você será eterno, no meu coração, na minha mente, na minha alma. Em tudo o que existe ao meu redor. Obrigada por ter me salvado da escuridão. Estarei esperando por você.”
Uma despedida. Ela havia escrito uma despedida. Uma despedida eterna.
A manhã deliciosa transformou-se em noite. Fria e sombria. Triste. A alegria tornou-se desespero, o paraíso, em inferno.
Acariciou-lhe o rosto. Tudo havia acabado. Sua vida acabou-se ali, com a morte de Bárbara.
– I am smiling next to you, in Silent Lucidity.
Achou ter visto um sorriso na face gelada de Bárbara. Foi a última coisa que conseguiu dizer. Desejou, ali, nunca mais amar novamente.

L

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6 comentários Add your own

  • 1. Anderson Meireles  |  Junho 10, 2010 às 7:29 pm

    Belíssima história! Gostei muito desse espaço aqui, voltarei!
    Abraço!

    Responder
  • 2. Pulga  |  Junho 12, 2010 às 5:29 pm

    Bem, eu ja dei as boas vindas para você L, rs. Quanto ao texto, bem, é uma historia melancolicamente romântica que geralmente provem desses momentos de “inspiração” como você mesmo falou. Muito bem escrito, é uma coisa bem melosa mas se tivesse algumas explosões a historia melhorava, hehe.

    E novamente, seja bem-vinda :)

    Responder
  • 3. Rita Maria Felix da Silva  |  Junho 13, 2010 às 3:36 pm

    Um bom texto, é bonito, bem lírico e o final é tocante, pungente eu diria.
    Só penso que a história poderia ser condensada em um menor, o que poderia aumentar o impacto do conto. Também recomendaria ver a fluência do texto, algumas mudanças poderia melhor o fluxo narrativo.
    Mas é um bom texto, parabéns.
    Beijos
    Rita

    Responder
  • 4. Geralda Maria  |  Junho 15, 2010 às 10:25 pm

    Um ótimo texto e emocionante, mas poderia ser mais suscito, pois há repetições quando está sendo narrado.
    Para mim ficou maravilhoso… Sou uma eterna romântica!
    Parabéns!!!

    Responder
  • 5. Simacek  |  Junho 18, 2010 às 1:22 am

    Belissima crônica, adoro esse tipo de escrita, onde a emoção encontra-se a cada palavra escrita. Não vejo o medo de errar nem a dor de viver, sinto em casa virgula o amor por escrever.

    Sem resumos nem contos, pontos e virgulas. Escreva cada palavra com ela tem que ser dita.

    Parabéns, pequena.

    Responder
  • 6. João Raphael  |  Julho 20, 2010 às 12:51 am

    Um texto muito bem escrito!
    Uma crônica muito bem montada,cada linha se transformava em cenas na minha mente de modo como se estivesse vendo um filme.

    Bem interessante a escolha da música e o desenrolar da história!
    Parabéns L,estarei esperando por outras crônicas.

    João Raphael

    Responder

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