.Folhetim Coletivo

Abril 1, 2010 at 1:47 am 14 comentários

Capítulo 1

Capítulo 1

O folhetim era um método de publicação muito utilizado no século XIX e no início do século XX. Uma obra, grande ou pequena, era publicada periodicamente por um jornal, deixando os leitores malucos, esperando pela próxima edição. Foi, durante muito tempo, uma forma de conseguir leitores fiéis. Em toda obra de ficção, porém, sempre temos aquela sensação de que aquele capítulo, que aquela ação, que aquele desfecho poderia ser diferente. E se, ao ler um folhetim, você pudesse decidir o que aconteceria no próximo capítulo? Isso mesmo, no melhor estilo “Você Decide?” de uma espécie de RPG coletivo. Não seria bom?

É essa a nossa proposta. O Ryan e eu iniciamos um pequeno conto, um tanto quanto genérico, mas propositalmente. Caberá a você, leitor, decidir duas coisas nesse primeiro capítulo: Quem é o nosso personagem principal e o que acontecerá a seguir. Durante uma semana, todos poderão votar, e um novo capítulo do conto será gerado baseado nas idéias mais votadas.

Bem, vamos parar de falatório, então, e partir para a história. Ela começava mais ou menos assim…

“Se há um bom momento para ficar louco, esse momento é agora.”

As gélidas águas do Atlântico refletiam, onda a onda, a luz da lua crescente. É impossível ver alguma coisa naquele misto de bruma e escuridão. Uma embarcação avançava lentamente pelo o oceano, rumo às quentes praias do novo mundo. No convés, entre muito feno, algumas galinhas na engorda e caixas aparentenmente inúteis estava um jovem burguês, machucado, confuso e com algum sinal de ressaca nos olhos e na mente. Era refém.

Coma, maldito. O capitão disse que quer você vivo. – Disse o pirata, enquanto empurrava uma papa que, de longe, muito longe, lembrava milho misturado com alguma ave.

Ei mano, esse moleque não está muito bem não… – Quem falava era o mais velho dos dois marinheiros que vigiavam o rapaz. Irmãos de idade inversamente proporcionais à inteligência, por sinal.

O rapaz, olhando pelas frestas da cela imunda onde estava trancado, viu os primeiros raios de sol. Durante toda a noite que passou em claro, calculou, meditou e repensou mil e duas maneiras para se livrar daquele lugar. Esse não era o seu método usual. “Faço, depois penso”, dizia, com orgulho. Chegou, por fim, à conclusão de que a loucura seria sua única saída.

Mesmo naqueles tempos, muitos anos depois de cruzarem o mar indo e voltando, marinheiros de todo o planeta acreditavam nos mais fantasiosos perigos marinhos. Após receber a refeição matinal, o jovem refém manteve seus olhos fixos num desenho de uma espécie de pentagrama que havia feito nas paredes da cela, sem reagir aos gritos dos carcereiros. Não era mago, não era astrólogo. Era apenas um desesperado acostumado a não medir as consequências. Babando e com os olhos arregalados, começou a gritar, desesperado, cuspindo e gesticulando, sem desfixar os olhos do desenho:

É o fim! É o fim!

Calado! – Gritou o carcereiro mais novo.

Vamos todos morrer! Vamos todos morrer! – Continuou gritando, aproximando-se do desenho, como se fosse explicá-lo. – Vejam! Essa foi a última lua crescente! É óbvio! É óbvio! O Deus dos mares reclamará nossas almas!

Vendo que não estava sendo muito convincente, o jovem deu mais de si na atuação. Começou a rasgar sua camisa com as próprias mãos, e numa última tentativa, lançou-se ao chão simulando uma convulsão. Era tudo ou nada.

Mano! Mano! A gente vai morrer, mano?

Vai morrer coisa nenhuma. Ele tá delirando. Vou chamar alguém.

O rapaz havia detectado quem seria sua vítima. Ainda durante a falsa convulsão, entre gritos de “Deus dos mares” e “o monstro marinho” chamou o carcereiro mais velho, flagrantemente surpesticioso, pelo nome, que havia escutado algumas vezes na já completa semana de sequestro.

Johann! Johann! Venha, venha! Só você pode nos salvar!

Vo-vo-você me chamou?- Estava convencido.

Sim Johann! Venha!

Amedrontado, o carcereiro deu passos curtos e lentos a partir da escada que dava para o convés na direção da porta do quarto transformado em prisão. Mão direita na pistola. Mão esquerda destrancando a porta.

“Johann, o capitão mandou a gente dar umas pancadas na cabeça dele pra ver se ele…”

Tarde demais. Pelas barras da carceiragem, Jones, o pirata mais novo, viu Johann, seu irmão mais velho, no chão. Ao entrar, foi logo derrubado e imobilizado, morrendo com um tiro de sua própria pistola. Ignorando qualquer instinto de sobrevivência, Jones entrou num susto na cela, para ser derrubado logo depois com um golpe no pescoço pelo jovem que havia se escondido atrás daquelas caixas.

Fácil demais. – Gabou-se o burguês, recolhendo a pistola do pirata mais novo.

Mas como era de se esperar, ele não havia calculado tudo. Esquecera de algo simples, vital. Pistolas fazem barulho. Muito barulho.

Tripulação! Para o convés! Rápido. Aquele Rato…

Antes que a tripulação chegasse ao convés, o jovem burguês saiu. Era de manhã cedo, mas o tempo estava fechado. No barco de proporções enormes, o rapaz usou a entrada da escada do convés como trincheira, atirando e se escondendo sucessivamente. Algumas partes do navio foram danificadas. Por fim, sua proteção estava aos pedaços. Antes que suas balas acabassem e pudesse ser alcançado, porém, conseguiu atingir um dos piratas, que caiu ao mar. Levantou-se para mais um tiro, o derradeiro, quando um enorme estrondo foi ouvido. Aquilo não era barulho de armas. Ondas se formaram à estibordo do navio, inundando-o de água e o arrastando com força para a direção contrária. Uma quantidade enorme de água emergiu do mar, junto com a mais aterrorisante das figuras. Fingindo estar louco, o jovem acertou. Suas almas seriam reclamadas pelo mar. Um monstro gigante, impassível de comparações, tinha o tripulante morto entre os seus dentes. E queria mais.

Evan

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.Big Brother Brasil 2010 .Piores Invenções!!!!

14 comentários Add your own

  • 1. Macaco Pipi  |  Abril 1, 2010 às 9:13 pm

    PQP
    TEM GENTE QUE PRECISA ORAR MUITO!

    Responder
  • 2. oO Mr. Tooth :[  |  Abril 2, 2010 às 1:04 pm

    Eu gostava quando minhas revistas de RPG traziam coisas assim.

    Depois junta tudo e posta a aventura completa!

    Responder
  • 3. Fábio Ferreira  |  Abril 2, 2010 às 4:57 pm

    Tipo de publicação que mais evolui e é a mais flexível em termos de criatividade, pois seus autores são aqueles que buscam a maior primazia editorial já reconhecida de modo notório…

    Responder
  • 4. Marcela  |  Abril 2, 2010 às 5:06 pm

    Eu não só gostava, como ainda gosto, às vezes quero algo neste sentido pelas coisas que acompanham…

    Nada como um segredo trancafiado ao fundo do mar… Descobertas meu caro, isso você conseguiu!

    Responder
  • 5. d3isee  |  Abril 2, 2010 às 5:13 pm

    Gosteiii!!
    Só que as letras são pequenas demais e eu tenho problema nas vistas e
    =\
    dorga…

    Responder
  • 6. fabio  |  Abril 2, 2010 às 6:31 pm

    poxa muito bom seu texto!
    Adoro texto tipo o seu!

    Responder
  • 7. Nanna Bezerra  |  Abril 3, 2010 às 2:08 pm

    uau,,,,adorei tudo por aki…o layout, as informações, a dinamica…

    adorei, viu/;?

    estão de parabéns…vou voltar com mais calma para comentar em todos os textos e posts. ok?

    beijão e tou te seguindo…

    Responder
  • 8. Anderson  |  Abril 3, 2010 às 6:25 pm

    Evan, muito boa a idéia, e o texto está muito bem escrito.

    A história começa bem simples. Pois bem, é apenas o inicio da história, espero que depois das loucas escolhas das pessoas, a trama venha a se desenvolver melhor.

    Acho que sendo o protagonista (ou melhor, o preso) pobre e o navio sendo destruído, será uma coisa mais misteriosa. Logo, será este meu voto :)

    Aguardo pela continuação.

    Responder
  • 9. Luciana  |  Abril 3, 2010 às 9:26 pm

    sherlock holmes foi todo publicado em jornais como periodicos e teve alterações importantes feitas por seus leitores, como o fato do personagem nunca se casar. Outros contos famosos como de dickens e HG Wells ganharam espaço pelos periodicos para depois se tornarem livros.

    otima ideia.

    Responder
  • 10. Bruuna Lira  |  Abril 4, 2010 às 3:27 pm

    Muito interessante, gostei muito da idéia. Já dei os meus votos e espero para ver como vai ficar a historia ^^

    Responder
  • 11. Janine Andrade  |  Abril 4, 2010 às 5:55 pm

    Anciosa pela continuação…:)

    Responder
  • 12. Lua  |  Abril 4, 2010 às 6:00 pm

    Ual! Você escreve muitíssimo bem. É simplismente claro e incrivel! Parabens pelo blog.

    Responder
  • […] os votos dos leitores, o fim do nosso “burguês” foi traçado. Nâo leu o capítulo 1? Clique aqui. Já leu? Então leia o segundo e último capítulo, que é nosso. Espero que gostem. As […]

    Responder
  • 14. Dr.Yuri  |  Abril 14, 2010 às 1:23 am

    Muito boa ideia e bom texto!!!

    Responder

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