.Como escrever sobre/usando o conceito de “Imortalidade” – Parte 1

Março 25, 2010 at 9:54 pm 10 comentários

Hello, aqui é o 16-bits Ryan (sim, um novo codinome).

Quer escrever sobre imortalidade de uma maneira superior à da Meyer-Vampiro-Brioso? Lá vão minhas dicas.

Estou aqui querendo escrever sobre um homem que conquista a vida eterna, mas após perder todos que ama arrepende-se e começa a lutar para morrer. Conforme ele vai tentando se matar, também vai ficando doente, como ficar paralitico – e isso seria para ele ficar eternamente imovel.

O que acham da idéia? É clichê? Existe alguma história parecida?

Tentando ajudar a pobre alma (pode não parecer, mas eu me considero – posso estar louco – um bom escritor, apesar de não ter publicado nada além de posts mal feitos no Moviment0) eu bolei um texto interessante e, provavelmente, um guia muito útil.

Então, supinhamos que você é alguem que queira escrever algum livro/conto/roteiro/HQ/semelhante sobre imortalidade. Eu realmente me sinto desconfortável dando dicas assim para os outros, mas como eu realmente quero que os livros (principalmente os sobre imortalidade, que são os meus favoritos) do futuro sejam melhores dos que os do presente (nada de não-vampiros brilhosos!) eu fiz esse guia.

Claro que nenhum livro que venha a ser escrito será melhor que os meus (ok, nerd arrogante, traficante fodão, pare de se gabar). O motivo principal pra eu escrever isso é: eu já pedí dicas para muitos desenhistas e como a maioria deles é individualista pra caramba (aquele em particular era um tremendo otário) fui recebido como patada e declarações de “vai aprender sozinho” ou coisas piores.

Então, não só para ajudar os outros: para aumentar também o número de obras decentes nesse mundo infestado por pseudo-livrénhos-adolescentes… aqui está.

1) O que diabos é “morrer”?
Acredite, isso afeta bastante a narrativa, quando o tema é algo sobrenatural como a imortalidade. O legal disso é que ninguém sabe como é, então você pode fazer a zona. O que quer dizer “morte” no seu mundo? É uma mudança de plano de existência? Vem alguém te buscar? (é uma adolescente bonitinha ou uma caveira com foice? Ou um anjo?) Como é o pós-morte? Essa pergunta é uma pergunta muito simples e de várias respostas. Não parece ser muito útil a primeira vista mas essa pergunta complementará várias outras.

Sandman and Death

É uma adolescente bonitinha que vem te buscar? (participação especial do aclamado -e adorado- personagem Sandman: a garota é bonitinha, mas o irmão mais velho é de dar medo!)

Um detalhe interessante sobre isso: só por que é necessário definir um conceito, não quer dizer que ele deva ser complexo. Não há necessidade de inventar um pós-morte complexo e fodão se a história não pede isso. Você pode simplesmente partir do princípio de que “Morrer… é morrer!” assim, da maneira que nós humanos entendemos isso, e já será válido.

2)Já sabemos o que é “morrer”. Por que o personagem “não consegue fazer isso”?
Imortalidade por si só é uma coisa muito confusa. O motivo? Ela não é natural. É bizarro, alienígena. O que protege o seu personagem de algo tão fatal? É algo em sua biologia? Ou uma sorte inacreditável? Um campo de força? Se você parar pra pensar, essa pergunta está diretamente relacionada à primeira. Imagine um personagem que não passa de um esqueleto ambulante. Ele pode estar vivo, assim como morto, depende muito do seu ponto de vista. Um esqueleto ambulante pode ser um imortal. Por quê? Por que ele não tem órgãos para eles pararem de funcionar. Apesar de tudo ele anda, fala e interage com os vivos. Isso é um exemplo. Você precisa definir um motivo para ele “não conseguir morrer”.
Esqueleto do He-man, por exemplo, vivo ou morto?

Perceba esse sorriso vibrante, vivaz!

Um comentário a parte sobre isso: existem diversos tipos de imortalidade. Alguns elfos em certas obras, por exemplo, não morrem de velhice, mas podem morrer por envenenamento, assassinato ou depressão. Outro tipo de imortalidade é a dada pelo Um Anel do Senhor dos Anéis, que estende a vida do portador, mas no fim das contas tudo se torna puro cansaço. Ele pode morrer apenas se algum cristal mágico for quebrado ou pode, por algum motivo mágico, manipular a própria idade. Existem outros exemplos mas eu sinceramente não me recordo agora.

O Um Anel do Senhor dos Anéis

O anel que o Frodo queimou no vulcão... ok, essa já é velha. - O Um Anel dá ao portador a imortalidade e invisibilidade às custas de pura exaustão.

Existe algo que merece atenção: se o conceito de morte for bastante simplista o conceito de imortalidade deverá ser bem pensado. Existem muitas maneiras de matar uma pessoa, uma delas deveria dar certo. Por que não funciona? Imagine que seu personagem vai passar por uma bateria de testes e faça a si mesmo a seguinte pergunta: até onde ele vai suportar?

3) Sabemos o que é a “imortalidade”. Como ela foi obtida?
Essa é a mais simples das perguntas e é muito ligada com a cadeia de acontecimentos (ok, todas são). Como esse cara conseguiu a imortalidade?
Alquimistas vêm tentando isso desde o surgimento da… bem, da alquimia (não tem como ser mais simples). Cientistas e religiosos debatem esse tema ao longo dos séculos.
Não tem necessidade de estender mais a pergunta: como esse cara se tornou imortal?
Chuck Norris

A Dercy perguntou quem são os fornecedores, pois assim poderia deixar suas queixas. Acha que ele respondeu?

4) Jóia, sabemos de onde ele tirou essa dádiva (ou maldição). Por que ele fez isso?
Isso parece estúpido à primeira vista. À primeira vista! Normalmente a resposta seria: “por que ser imortal deve ser legal pra c*ralho!”. Mentira. Todos nós sabemos que a imortalidade é algo assustador. Qualquer um que se deparasse com uma oportunidade de se tornar imortal hesitaria. Sofrer para sempre? Não quero! Ou talvez isso seja uma artimanha das forças malignas, quem sabe? Deve-se ser muito corajoso ou muito tolo para perseguir algo assim, ou os dois, talvez, depende muito de como todas as outras 3 perguntas foram respondidas.

Vegeta furioso esmagando medidor de poder.

Por exemplo: Ele almejou a imortalidade por que o poder adversário é MAIOR QUE OITO MIL

Quais foram as motivações do seu personagem!? Numa história a motivação dos personagens é um elemento crucial. Por que ser imortal? Ganância? Medo? Busca pela perfeição? Ou simplesmente inconseqüência?

É isso.

Fiquem com esse pensamento e até o proximo post!

PS:  Sem muita enrolação, eu gostaria de perguntar: e aí, curtiram o ? Hoje me disseram que tava “bem editado”, o que me fez sentir fodão.

Um traficante fodão, talvez… (entendeu?)

PS 2: Numa comunidade (que eu fiz propaganda sem permissão – e da qual sou owner) um sujeito veio e fez uma pergunta. A que pergunta me refiro? A do início do post, em negrito. Esse texto eu fiz originalmente para ajudar um escritor.

PS3 (esse eu ainda não comprei): Ah, a propósito, uma curiosidade: fui pesquisar imagens do Chuck Norris no Google e olha com o que me deparo?

Link do Moviment0 na primeira página! Tá certo que a imagem não é nossa mas…

É nóis!


16-bit Ryan

[pulga, coloca 16-bit Ryan continua aqui]

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.Assista e tire suas próprias conclusões .Quanto custa ser para ter, ou vice versa…

10 comentários Add your own

  • 1. Horla  |  Março 26, 2010 às 1:04 am

    Mmm… gostei do seu processo criativo.

    1 – Não se preocupe, não é necessário ter publicado um livro para ser um escritor fodão. Tem muitos bons escritores não publicados; e muitos “zé ruela” com livros publicados apenas porque tem dinheiro pra publica-los. ^^

    2 – Respondendo a pergunta do início do post: Sim, existe algo parecido com isso, mas não é clichê. No filme Fome de Viver ( que eu citei no post sobre vampiros) os vampiros são seres que passam anos (talvez séculos) se alimentando de sangue para estender a vida, mas um belo dia começam a envelhecer muito rápido. A praga é que o vampiro continua vivo mesmo quando seu corpo “morre”, ou seja, já não tem mais vigor para se mover. Assim o vampiro é enterrado vivo, e continua vivo mesmo quando o corpo apodrece no caixão e é devorado pelos vermes. E continua preso ao corpo imóvel para sempre, sem descanso – ouvindo, cheirando, sentindo…

    Responder
  • 2. Ryan.  |  Março 26, 2010 às 1:32 am

    Grande Horla! =D

    Meu amigo, é ótimo o seu acrescimo de informação. Mas isso nos leva à seguinte dúvida:

    A consiência, quando se separa do corpo? Ele continuara “vivo” até mesmo quando for completamente decomposto?

    Bem, de qualquer maneira isso é assunto pro proximo post, a parte II!

    Responder
  • 3. erich  |  Março 26, 2010 às 1:07 pm

    Boa … muito bom
    O importante é deixar a criatividade voar.

    Responder
  • 4. Douglas  |  Março 27, 2010 às 2:50 pm

    Esse assunto pode render vários trabalhos. Como o Erich disse acima: O importante é usar a criatividade.

    Todos esses casos citados no texto servem de inspiração, a imortalidade não é um tema muito difícil de seguir. =)

    Responder
  • 5. Jeh Pagliai  |  Março 27, 2010 às 11:53 pm

    Muito bom este post;
    Adorei a criatividade…rs

    Beijinhos

    Responder
  • 6. leo  |  Março 29, 2010 às 12:37 am

    Na verdade todos nós somos imortais mas ainda não percebemos isso;;

    Responder
  • 7. Pobrte Esponja  |  Março 29, 2010 às 9:53 pm

    Ótimo post: perspicaz e engraçado. Esse lance do individualismo – que disse no sentido de desenhistas- se amplia para todos artistas.

    abç

    Responder
  • 8. Julio Salles  |  Junho 29, 2010 às 2:52 am

    Hey, quem disse que o Sandman é o irmão mais velho da Morte?
    É o contrário. :P

    Responder
    • 9. Julio Salles  |  Junho 29, 2010 às 3:01 am

      Só se cê estiver falando do Destruição. :P

      Responder
  • 10. Ryan  |  Julho 12, 2010 às 9:23 pm

    Opa, errei.

    Foi mal! XD

    Mas ele ainda pode ser assustador.

    Responder

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