.Jazz Ain’t Nothing But Soul

Março 16, 2010 at 11:26 pm 8 comentários

Jazz Trio

Bem pessoal, demorei mais cheguei. Sou o mais novo e provavelmente o mais prego dos redatores D’O Movimento. Me propus a falar sobre a coisa que eu mais amo nessa vida, que é a música. Em especial, Jazz.

“Jazz?”, Talvez você se pergunte. “Não é aquela coisa chata que o velho do meu vizinho escuta?” É. Mas não é. O Jazz tem tantas vertentes, é tão amplo, tão livre, que é muito difícil dizer o que é Jazz e o que não é. Há uma única característica que une todas as formas de Jazz, seja ele bebop, latino, funk, fusion ou o escambal. Jazz é improviso, é criação. Isso me lembra de uma história de quando eu era menor…

Eu achava a música a forma de arte mais sacana que existia. Sério. Não que eu não gostasse, mas eu achava muita sacanagem com o instrumentista, com o músico em si. Escritores escreviam o que eles mesmos criavam – Ninguém diz pra um escritor o que ele deve escrever, e assim costuma acontecer com boa parte das outras artes. Mas não com a música. Eu sempre pensava que se você fosse instrumentista ou mesmo vocalista, mas não composse, você passaria a vida inteira tocando o que os outros diziam que você devia tocar. O Baterista sempre tocaria a mesma coisa, o guitarrista sempre faria o mesmo solo. E se fosse música erudita, aí que você tava lascado. Tinha que ler tudo certinho na partitura se não, seu pescoço rolava. Era tudo muito mecânico. Sem alma.

Daí, eu conheci o Jazz. E como diz uma música, Jazz Ain’t Nothing But Soul. Fiquei maluco. Tudo acontececeu por causa desse vídeo:

“Isso é tudo improviso”. Meu pai disse. E eu fiquei com aquela cara de paisagem. “Como assim?”. Preste atenção no vídeo aí de cima. Eles definem um tema, “um refrão” e todos os instrumentos improvisam, criam na hora, solos em cima dele. Cada um participa. É tudo uma grande festa. Cada show é único, cada take é inimitável. Fiquei chocado. Aquilo não era só ótimo de se escutar, era como um Big Bang dentro de uma cabecinha de um moleque de 10 anos. Mind blowing.  Depois, meu conceito sobre os outros tipos de música se corrigiu, mas o Jazz não saiu mais da minha vida.

Para ouvir Jazz, é necessário ter calma. Pra quem tá acostumado com Rock, Soul, as formas mais modernas de Jazz podem ser mais interessantes. Pra quem curte música brasileira, temos o Jazz feito aqui, bem como a Bossa Nova, e pra quem é mais old school, temos o bom e velho Jazz cinquentista. O importante é começar com o pé direito e ouvir com atenção. Ouça 2, 3 takes diferentes do mesmo tema e perceba como os solos não são só amontoados de notas, mas expressões do sentimento de cada instrumentistas no momento, impassíveis de cópia. Preste atenção no ritmo quebrado, na harmonia complexa. Os Jazzistas são verdadeiros nerds da música, maníacos, sempre procurando novas formas, novos sons. Outro dia vou falar sobre o brasileiro Hermeto Pascoal por aqui pra vocês entenderem o drama.

Para terminar, vou sugerir que vocês vejam mais dois vídeos. Um é de uma formação de banda de Jazz clássica quebrando e reconstruindo um tema conhecidíssimo pra quem curte rock clássico: Blackbird, dos Beatles. E pra quem curte alguma coisa mais funk, vai um vídeo de um dos maiores e mais influentes contrabaixistas da história, o cometa chamado Jaco Pastorius. Espero que gostem. Outro dia volto pra destacar mais artistas e pra que a gente converse sobre esse universo sempre em expansão que é o Jazz.

Blackbird:

Jaco Pastorius:

Abraço molecada!

Evan

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.10 coisas que aprendi com seriados .Viagem no Tempo Só no Cinema?! Part III

8 comentários Add your own

  • 1. Uriel  |  Março 17, 2010 às 5:29 pm

    Porra, cara.. jazz é algo tipo, a base da música, tudo veio do jazz, do blues… cada um com seu jeitão diferente, mas nunca da pra imitar e recriar com decência um som desses;

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  • 2. gbatista  |  Março 17, 2010 às 10:00 pm

    Como conversei com um amigo meu, quando se fala em Jazz, se fala em conversa. A bateria chama o saxofone que avisa que é a vez do piano e este pergunta ao baixo o que ele quer tocar. Tudo improviso, como disse seu pai.

    Na real, o jazz é a mãe de todos os estilos musicais. E pode notar, diversas bandas que herdam essa conversação do jazz fazem, ou fizeram, um sucesso tremendo ( no momento só me vem à cabeça Black Sabbath de exemplo…)

    PS: a “bossa nova” não é tão nova. Nunca foi, álias. Ela foi escancaradamente copiada do Samba Jazz, que, diga-se, foi inventado por um artista que morreu recentemente, só não me lembro quem era.

    Responder
  • 3. Evan Henrique  |  Março 17, 2010 às 10:37 pm

    Jonny Alf.

    Responder
  • 4. Chavez  |  Março 17, 2010 às 11:45 pm

    Adorei o post Evan, faz tempo que o moviment0 estava precisando de algo desse nivel…
    enfim :D!
    Eu sou pianista classico, mas tambem sou um admirador tremendo do jazz, e devo fazer algumas observações importantes:
    primeiro: o jazz pianistico tem uma influencia direta de Chopin em suas harmonias cromaticas e cadencias em serie (é só voce colocar na brasilia super radio que voce percebe “89.9 fm”)…
    segundo: o jazz adora fazer variações complexas em cima de um tema simples, mas esse estilo não é o unico; Rachmaninoff fazia isso com frequencia e se tornou famoso por causa disso nos EUA; e quando se fala das ANTIGONAS fugas de bach então…
    terceiro: Apartir desse fato é certo afirmar que o jazz não é pai nem mãe da musica em si (nem o bach pode ser considerado pai da musica, buxtehud antecedeu bach, e foi um organista bem mais virtuoso que ele, voce ja ouviu falar dele? e do scarlatti?)
    Oque deve ser esclarecido, é que na verdade o jazz em si, é um seguimento, uma nova roupagem da musica erudita, assim como os grandes compositores modernos: prokofiev, villalobos, shostakovich, eles pretendiam descobrir os novos sons e sensações contemporaneas: dissonancias sem regras e convenções (vide jazz e dodecafonismo), fugindo da tradição harmonica romantica. A musica erudita é instruida, e para os jazzistas, fazer complexidades harmonicas e instrumentais em cima de um tema simples é uma verdadeira instrução e estudo. Como tu disses, os jazzistas são verdadeiros nerds da música, tanto que os primeiros jazzistas tinham a ideia de ler a partitura e improvisar em cima dela( novidade: Chopin e os grandes romanticos faziam isso constantemente), na minha opinião pessoal: ser jazzista significa ser erudito, independente da partitura ou não, quando voce entra em um mundo aonde voce deve improvisar um tema em do sustenido que voce estudou em fa maior; bem, voce tem que ter boa instrução e improviso, alem de um ouvido fantastico.
    explorar novos sons com inteligencia, teclados e guitarras não significa sair da musica erudita: muitos rock progressivos tem influencias diretas da musica erudita (vide rick wakeman: que alem de “classico” é jazzistico).

    Responder
  • 5. Angélica kawai  |  Março 18, 2010 às 5:12 pm

    Verdade.. Não sou muito de ouvir Jazz, mas quando escuto sinto uma sensação bem retro. Talvez romantica..
    Mas como disse… não sou muito de ouvir…

    Responder
  • 6. Fabricio  |  Março 21, 2010 às 9:29 pm

    puts num faz meu estio mas até q da pra ouvir

    Responder
  • 7. everaldoygor  |  Março 23, 2010 às 9:42 pm

    Ótimo post!
    E o Jazz, faz a alma ferver, uma verdadeira imersão no ritmo, no improviso, na vibração toda… Como Coltrane fazia…
    E ao apreciar o velho Jaco, e seu magnifico contra-baixo, isso é surreal…
    Saudações Poéticas
    Abraços

    Responder
  • 8. Daniel Silva  |  Maio 13, 2010 às 2:23 pm

    Tá aí um blog de qualidade. Jazz é demais, gosto muito dos clássicos tipo Miles, Coltrane, Shorter, Hancock e a galera toda.. como também dos mais novos. Recomento o pianista cubano Roberto Fonseca, o cara!

    Responder

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